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Tesouro recompra NTN-B e cancela leilão de Tesouro Selic: o que muda para quem investe

O Tesouro recomprou mais de R$ 14,8 bi em 26/10, anunciou nova recompra de NTN-B e cancelou o leilão de LFT. Veja o efeito no seu Tesouro Direto.

Por Thales Xavier5 min de leituraAtualizado em
Documento do Tesouro Nacional com recompra de R$ 14,8 bi, carimbo de leilão cancelado, celular com Selic a 13,75% e moedas.
Ilustração: PortalFina
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A notícia em 1 minuto

O que aconteceu?

O Tesouro recomprou mais de R$ 14,8 bi em 26/10, anunciou nova recompra de NTN-B e cancelou o leilão de LFT. Veja o efeito no seu Tesouro Direto.

Como isso impacta você?

Quando as taxas dos títulos sobem de repente, o preço dos papéis já comprados cai. É o que se chama marcação a mercado: o valor que aparece no extrato do Tesouro Direto acompanha o preço de venda do dia, não só o que foi contratado. Por isso o saldo de quem tem Tesouro IPCA+ ou prefixado pode oscilar mesmo sem ter feito nada. A recompra busca reduzir essa pressão de alta nas taxas, comprando títulos no mercado.

Em números

R$ 14,8 bi
Recomprados em 26/10

Valor informado pela Agência Brasil: "mais de" R$ 14,8 bilhões em títulos públicos.

4
Vencimentos de NTN-B

2030, 2035, 2040 e 2045 entram na nova recompra anunciada em 27/10.

13,75%
Selic ao ano

É a taxa que rende o Tesouro Selic. O Copom decide de novo em 3 e 4/11.

O que o Tesouro anunciou em 27/10

O Tesouro Nacional anunciou em 27 de outubro de 2026 uma nova recompra de títulos públicos, desta vez de NTN-B, os papéis que pagam IPCA mais uma taxa fixa e são vendidos no Tesouro Direto como Tesouro IPCA+. Entram na operação as NTN-B com vencimento em 15/08/2030, 15/05/2035, 15/08/2040 e 15/05/2045. As condições, como o valor oferecido e o horário, ficam em edital publicado no site do Tesouro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, aprovou a medida.

No mesmo comunicado, o Tesouro informou que o leilão regular de LFT, o título que paga a taxa Selic e é vendido ao investidor como Tesouro Selic, previsto para 27/10, foi cancelado. Na segunda-feira (26/10), segundo o Money Times, já tinham sido cancelados os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação da semana, porque as taxas subiram forte. No mesmo dia 26, a Agência Brasil informa que o Tesouro recomprou mais de R$ 14,8 bilhões em títulos públicos.

Recompra é o inverso de um leilão de venda: em vez de vender títulos para captar dinheiro, o Tesouro compra de volta papéis que estão no mercado, pagando em dinheiro. A Agência Brasil classifica o movimento como medida para conter oscilações. O ministro atribuiu a instabilidade ao ajuste de posições depois do resultado do segundo turno, em 25/10, e disse esperar que o mercado volte à normalidade. Este texto trata só do efeito no investimento: não há posição sobre o resultado da eleição.

Por que isso importa para quem tem dinheiro no Tesouro Direto

Detalhe do documento do Tesouro Nacional com recompra de R$ 14,8 bi em 26/10, quatro vencimentos de NTN-B, leilão de LFT cancelado e Selic a 13,75%.
Os números da operação do Tesouro, conforme informado pela Agência Brasil. Ilustração: PortalFina

Quando as taxas dos títulos sobem de repente, o preço dos papéis já comprados cai. É o que se chama marcação a mercado: o valor que aparece no extrato do Tesouro Direto acompanha o preço de venda do dia, não só o que foi contratado. Por isso o saldo de quem tem Tesouro IPCA+ ou prefixado pode oscilar mesmo sem ter feito nada. A recompra busca reduzir essa pressão de alta nas taxas, comprando títulos no mercado.

Vale um exemplo hipotético, só para mostrar a conta. Quem tem R$ 10.000 em um título cujo preço de venda cai 5% em um dia vê o saldo marcado em R$ 9.500, uma diferença de R$ 500. Essa perda só se realiza se o investidor vender antes do vencimento. Quem mantém o título até o fim recebe as condições contratadas na compra: o IPCA mais a taxa fixa, ou a taxa prefixada, conforme o papel. O percentual de 5% é apenas ilustrativo e não é o do pregão.

A recompra é uma operação do Tesouro com instituições do mercado e não garante o preço do título de cada pessoa física. Ela também não fixa taxa nem promete valorização. O que o leitor pode esperar, no melhor caso, é menos volatilidade nos próximos dias, e o resultado de cada leilão sai no site do Tesouro.

Os três títulos do Tesouro Direto e o que acontece com cada um
TítuloComo rendeOscila no dia a dia?
Tesouro Selic (LFT)Taxa Selic, atualmente em 13,75% ao anoMuito pouco
Tesouro IPCA+ (NTN-B)IPCA mais taxa fixaSim, mais nos prazos longos
Tesouro PrefixadoTaxa fixa definida na compraSim, mais nos prazos longos

E o Tesouro Selic, com o leilão cancelado?

O cancelamento é do leilão regular em que o Tesouro vende LFT para se financiar. Ele não tira o Tesouro Selic do Tesouro Direto nem muda a rentabilidade de quem já tem o título: a LFT segue a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e é o papel de menor oscilação entre os três. Para saber se o investidor consegue comprar ou resgatar no dia, vale conferir o aplicativo ou o site do Tesouro Direto e da corretora.

Para quem tem R$ 10.000 no Tesouro Selic, a conta aproximada de um ano é a seguinte: 13,75% sobre R$ 10.000 dá R$ 1.375 de rendimento bruto. Com o Imposto de Renda de 17,5% para aplicações de 361 a 720 dias, o desconto é de R$ 240,63, e o ganho líquido fica perto de R$ 1.134,38, antes da taxa de custódia da B3. A Selic muda a cada reunião do Copom, então o resultado real pode ser diferente. Para simular, use a calculadora do Tesouro Selic do PortalFina.

O Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro, e a decisão sobre a Selic afeta diretamente o rendimento do Tesouro Selic, do CDB e da poupança. Quem comparou o Tesouro com um CDB deve refazer a conta com a taxa da data da compra, e não com a de semanas atrás.

O que fazer agora: três cuidados práticos

O primeiro cuidado é olhar o prazo. Quem investe para um objetivo que vence em 2030, 2035 ou 2040 pode acompanhar a oscilação com calma se pretende segurar o título até o vencimento. Já quem pode precisar do dinheiro em poucos meses deve preferir papéis de baixa oscilação, como o Tesouro Selic, ou outras aplicações com liquidez diária.

O segundo é não decidir pela manchete de um dia. Vender um título na pior hora transforma a oscilação em perda real. O terceiro é conferir a fonte: o resultado da recompra e o edital ficam no site do Tesouro, e os preços do dia aparecem no Tesouro Direto, que mostra o valor de compra e de venda de cada vencimento.

Para comparar rendimentos líquidos entre Tesouro, CDB e poupança, as calculadoras do portal fazem a conta com Imposto de Renda e prazo.

Perguntas frequentes

O que é a recompra de títulos feita pelo Tesouro?

É quando o Tesouro compra de volta, no mercado, títulos que já vendeu, pagando em dinheiro. Em 26/10 o Tesouro recomprou mais de R$ 14,8 bilhões, e em 27/10 anunciou nova recompra de NTN-B de 2030, 2035, 2040 e 2045.

Perdi dinheiro no Tesouro Direto com a oscilação?

O saldo pode ficar menor no extrato por causa da marcação a mercado, mas a perda só se realiza se você vender antes do vencimento. Quem segura o título até o fim recebe as condições contratadas na compra.

O Tesouro Selic continua rendendo a Selic?

Sim. O cancelamento do leilão de LFT não muda a rentabilidade de quem já tem o título, que segue a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

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