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Perícia médica do INSS: como funciona e como se preparar

Entenda como é a perícia médica do INSS, o que levar, como funciona a telemedicina, o que o perito avalia, o que fazer após o resultado e como é a perícia judicial.

Por Redação PortalFina5 min de leituraAtualizado em

Em números

30 dias
Prazo para recorrer do resultado

Contados da ciência da decisão do INSS.

90 dias
Limite do Atestmed

Atestado analisado sem perícia presencial, em casos aceitos.

15 dias
Janela para pedir prorrogação

Antes da data de cessação do benefício.

O que é a perícia médica do INSS

A perícia médica é a avaliação feita por um médico perito federal para decidir se o segurado está incapacitado para o trabalho e, em caso positivo, desde quando e por quanto tempo. Ela é a etapa central dos benefícios por incapacidade, como o auxílio por incapacidade temporária e a aposentadoria por incapacidade permanente.

O perito não é o médico que trata o paciente. Ele analisa documentos, examina o segurado e conclui se a doença ou a lesão impede o trabalho que a pessoa faz. Por isso os documentos do médico assistente são tão importantes: eles contam a história que o perito não viu.

Perícia presencial, telemedicina e análise de atestado

Hoje o INSS trabalha com três formas de avaliação. A perícia presencial, feita em uma agência ou unidade de perícia, a perícia por telemedicina, em que o segurado é avaliado por vídeo, e a análise documental do atestado, conhecida como Atestmed, para benefícios de até 90 dias. Segundo a divulgação do governo, a regra do Atestmed foi prorrogada até setembro de 2027.

Qual delas será usada depende do tipo de pedido, do prazo e da regra vigente. O Meu INSS informa a data, o local ou o link da perícia. Se não puder comparecer, avise e remarque antes da data, porque faltar pode levar ao arquivamento do pedido.

O que levar no dia

Leve um documento oficial com foto, o CPF e, se houver, o número do benefício ou do protocolo. Leve também todos os documentos médicos em original: atestados recentes com CID, laudos, exames de imagem e laboratoriais, receitas, relatórios de especialistas e comprovantes de internação, cirurgia ou fisioterapia.

Organize os papéis em ordem de data, do mais recente ao mais antigo. Um resumo curto, em uma folha, com a evolução da doença, os tratamentos feitos e as limitações para o trabalho facilita a conversa. Evite levar documentos que não tenham relação com a doença.

Documentos que mais pesam na perícia
DocumentoPor que ajuda
Atestado com CID e CRMMostra o diagnóstico e quem assina.
Relatório do médico assistenteDescreve a doença, o tratamento e as limitações.
Exames recentesProvam o estado atual.
Receitas e comprovantes de tratamentoMostram que o tratamento é contínuo.
Comprovantes de internação ou cirurgiaMarcam datas e gravidade.

O que o perito avalia

O perito verifica se há doença ou lesão, se ela causa incapacidade para a atividade habitual, a data em que a incapacidade começou e se há possibilidade de recuperação. A incapacidade é avaliada em relação ao trabalho que a pessoa exerce, e não em relação a qualquer atividade.

Por isso é importante descrever as tarefas do dia a dia: se o trabalho exige carregar peso, ficar muito tempo em pé, dirigir, digitar ou lidar com o público, e como a doença atrapalha cada uma. Responda com clareza e sem exagerar, porque o perito compara o que você diz com os documentos.

Como se comportar na perícia

Chegue com antecedência, mantenha a calma e fale de forma objetiva. Descreva os sintomas, os tratamentos e as dificuldades reais. Não omita doenças antigas relacionadas, porque elas ajudam a explicar o quadro, e o perito costuma ter acesso ao histórico no sistema.

Na telemedicina, teste a internet e a câmera antes, esteja em lugar silencioso e tenha os documentos à mão para mostrar. Anote o horário e o nome do perito, se informado, e guarde qualquer comprovante gerado pelo sistema.

O resultado e o que fazer em seguida

O resultado aparece no Meu INSS, com a conclusão sobre a incapacidade, o início, a data de cessação e, se negado, o motivo. Leia com atenção: muitas negativas se baseiam em falta de qualidade de segurado, de carência ou em não reconhecer a incapacidade, e cada motivo exige uma resposta diferente.

Se for concedido, confira a data de início, a data de cessação e o valor. Se a incapacidade continuar, anote a janela de 15 dias antes da alta para pedir a prorrogação. Se houver mudança de situação, como piora do quadro, junte novos documentos e peça nova avaliação.

Se o resultado for negativo

O segurado pode recorrer ao INSS em 30 dias, pelo Meu INSS. O recurso é julgado pela Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social. Anexe novos documentos que respondam ao motivo da negativa, como exames posteriores e relatórios mais detalhados.

Também é possível procurar a Justiça Federal, onde pode ser feita a perícia judicial. Nela, o perito é nomeado pelo juiz, e as partes podem apresentar perguntas, os chamados quesitos. A perícia judicial acontece em outro ambiente e muitas vezes inclui mais detalhes do que a do INSS. Quem não pode pagar advogado pode procurar a Defensoria Pública da União.

Perícia judicial: como funciona e como se preparar

A perícia judicial é determinada pelo juiz em ações contra o INSS. O perito é um médico de confiança do juízo, e o laudo dele costuma ter grande peso na sentença. O segurado deve comparecer com os mesmos documentos da perícia do INSS e, se tiver advogado ou defensor, falar com ele sobre os quesitos antes.

Responda com sinceridade e detalhe as limitações. Após o laudo, as partes têm prazo para se manifestar, e o juiz decide. Acompanhe o processo pelo advogado ou pelo sistema do tribunal, e guarde a data da perícia e o número do processo.

Erros comuns

Os erros mais comuns são faltar à perícia, levar atestado sem CID ou sem data, exagerar sintomas, esquecer exames e não pedir a prorrogação a tempo. Outro erro é deixar de tratar por achar que a perícia vai resolver: o tratamento contínuo é uma prova importante.

Desconfie de quem cobra para garantir resultado na perícia. Nenhuma pessoa pode prometer aprovação, e o INSS não cobra para marcar ou realizar a avaliação. Use apenas o Meu INSS e a Central 135.

Perguntas frequentes

O que levar na perícia do INSS?

Documento com foto, CPF e todos os documentos médicos em original: atestados com CID, exames, laudos, receitas e relatórios do médico assistente.

Posso faltar à perícia?

Faltar pode levar ao arquivamento do pedido. Se não puder ir, avise e remarque pelo Meu INSS ou pela Central 135 antes da data.

Existe perícia por telemedicina no INSS?

Sim, em alguns casos a avaliação é feita por vídeo. O Meu INSS informa a data e como acessar.

Quanto tempo tenho para recorrer do resultado?

O recurso ao INSS deve ser apresentado em 30 dias, a partir da ciência da decisão.

O que é a perícia judicial?

É a avaliação médica determinada por um juiz em uma ação contra o INSS. O perito é nomeado pelo juízo e o laudo tem grande peso na sentença.

Fontes e referências

Confira os números nas páginas dos órgãos oficiais e nas matérias consultadas. Os links abrem o site de origem em outra aba.

  • Lei 8.213/1991, arts. 42 a 47 e 59 a 63
  • Decreto 3.048/1999: recursos ao Conselho de Recursos da Previdência Social
  • INSS: Meu INSS e Central 135
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