Gasolina na bomba quase não cai: ANP mostra R$ 6,53 na 1ª semana sem tributos federais
A média nacional da gasolina foi de R$ 6,54 para R$ 6,53 na primeira semana após zerar os tributos federais. Veja a conta no tanque e como comparar com o etanol.

A notícia em 1 minuto
O que aconteceu?
A média nacional da gasolina foi de R$ 6,54 para R$ 6,53 na primeira semana após zerar os tributos federais. Veja a conta no tanque e como comparar com o etanol.
Como isso impacta você?
A desoneração de 9 de outubro elevou o corte de tributos federais de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro de gasolina A, ou seja, um corte novo de R$ 0,26 por litro. Se esse valor chegasse inteiro ao posto, um tanque de 50 litros ficaria R$ 13,00 mais barato (50 x R$ 0,26). Com a queda de R$ 0,01 que a ANP registrou, a economia no mesmo tanque é de R$ 0,50 (50 x R$ 0,01).
Em números
- R$ 6,53
- Gasolina, média nacional
- R$ 0,01
- Queda na semana
- R$ 0,26
- Corte novo por litro
- R$ 1,62
- Diferença entre capitais
Semana de 11 a 17/10, segundo a ANP.
Era R$ 6,54 na semana de 4 a 10/10.
Valor da desoneração anunciada em 9/10 que se somou ao anterior.
De R$ 5,94 em Porto Alegre a R$ 7,56 em Boa Vista.
Faça a conta com os seus dados
O que a pesquisa semanal da ANP mostrou
O governo zerou PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina em 9 de outubro de 2026, por 30 dias. A primeira semana inteira com a medida em vigor foi a de 11 a 17 de outubro, e o levantamento da ANP, divulgado em 20 de outubro, mostrou que o litro da gasolina comum ficou em R$ 6,53 na média do país. Na semana anterior, de 4 a 10 de outubro, a média era de R$ 6,54. A queda foi de R$ 0,01, ou 0,15%.
Outros combustíveis tiveram movimentos pequenos na mesma pesquisa: o diesel caiu 0,3% e o botijão de gás de 13 kg subiu 0,1%, de R$ 114,61 para R$ 114,73. O botijão foi o único item que subiu na semana.
Os valores são médias de revenda em todo o país. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a média subiu um centavo e chegou a R$ 6,43. A pesquisa seguinte, referente a 18 a 24 de outubro, deve mostrar se o corte começou a aparecer com mais força.
| Combustível | Semana de 4 a 10/10 | Semana de 11 a 17/10 |
|---|---|---|
| Gasolina comum (litro) | R$ 6,54 | R$ 6,53 |
| Diesel | R$ 7,36 (S10) | queda de 0,3% |
| Botijão de gás (13 kg) | R$ 114,61 | R$ 114,73 |
A conta no tanque: o que seria e o que foi

A desoneração de 9 de outubro elevou o corte de tributos federais de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro de gasolina A, ou seja, um corte novo de R$ 0,26 por litro. Se esse valor chegasse inteiro ao posto, um tanque de 50 litros ficaria R$ 13,00 mais barato (50 x R$ 0,26). Com a queda de R$ 0,01 que a ANP registrou, a economia no mesmo tanque é de R$ 0,50 (50 x R$ 0,01).
Para quem abastece 200 litros por mês, a diferença entre o teto teórico e o que apareceu na pesquisa é de R$ 52,00 contra R$ 2,00 por mês. R$ 0,01 é menos de 4% de R$ 0,26, mas essa comparação é só uma referência: o decreto fala em litro de gasolina A, e a gasolina da bomba leva etanol na mistura, então o corte exato por litro vendido no posto pode ser menor.
Uma semana de pesquisa não encerra a discussão. O preço na bomba depende do estoque que o posto comprou antes, do preço cobrado pela distribuidora, do ICMS cobrado pelo estado e da margem do revendedor. Por isso a calculadora de porcentagem do portal ajuda a testar cenários: coloque o preço que você paga hoje e veja quanto seria um desconto de 1%, 2% ou 4%.
| Cenário | Tanque de 50 litros | 200 litros por mês |
|---|---|---|
| Corte inteiro de R$ 0,26 | R$ 13,00 | R$ 52,00 |
| Metade do corte (R$ 0,13) | R$ 6,50 | R$ 26,00 |
| Queda observada de R$ 0,01 | R$ 0,50 | R$ 2,00 |
Por que o desconto pode demorar ou não chegar
O decreto retira tributos federais da cadeia, mas não fixa o preço final nem obriga o posto a repassar o valor. Quem define o preço na bomba é cada revendedor, que considera o custo de compra, a margem e as despesas. Combustível comprado antes do decreto, com o custo antigo, pode ser vendido primeiro, o que atrasa o efeito.
A pesquisa mostra também que a média nacional esconde diferenças grandes. Na semana de 4 a 10 de outubro, a gasolina era mais barata em Porto Alegre, a R$ 5,94, e mais cara em Boa Vista, a R$ 7,56, uma distância de R$ 1,62 por litro. Em um tanque de 50 litros, essa diferença chega a R$ 81,00 (50 x R$ 1,62). Muitas vezes, escolher o posto pesa mais do que o desconto federal.
A medida vale por 30 dias a partir do anúncio, ou seja, até o início de novembro, e pode ser prorrogada por novo ato do governo. Quem faz o orçamento do mês não deve contar com o desconto como permanente.
Gasolina ou etanol: a conta com os preços da ANP
Na pesquisa de 4 a 10 de outubro, o etanol hidratado estava em R$ 4,14 por litro na média nacional, contra R$ 6,54 da gasolina. A razão entre os dois é de 63%, abaixo da regra prática de 70%. Pela regra, o etanol compensa em média quando custa menos de 70% do preço da gasolina, porque rende menos quilômetros por litro.
Um exemplo com um carro flex que faz 12 km por litro de gasolina e cerca de 8,4 km por litro de etanol (70% do consumo): para rodar 100 km, a gasolina gasta 8,33 litros e custa R$ 54,50. O etanol gasta 11,90 litros e custa R$ 49,29. A diferença é de R$ 5,21 a cada 100 km a favor do etanol, nessa média nacional.
Cada carro tem seu consumo real, e o preço varia por cidade. O jeito mais seguro é dividir o preço do etanol pelo da gasolina no posto onde você abastece: se o resultado for menor que 0,70, o etanol tende a sair mais barato. Nos dias em que o desconto federal chega só à gasolina, essa razão pode mudar de uma semana para outra.
O que acompanhar nas próximas semanas
A ANP divulga a síntese semanal dos preços, e a próxima edição trará a semana de 18 a 24 de outubro. Se a média da gasolina continuar perto de R$ 6,53, o efeito da desoneração segue pequeno na bomba. Se cair mais, é sinal de que o repasse está chegando.
Também vale olhar o prazo: com a medida terminando no início de novembro, uma prorrogação ou o fim do corte pode mexer no preço em poucos dias. Quem tem o hábito de encher o tanque de uma vez pode comparar o preço do posto com a média da cidade antes de decidir.
Perguntas frequentes
A gasolina ficou mais barata depois do corte de tributos?
Pouco, na média nacional. A ANP registrou queda de R$ 6,54 para R$ 6,53 por litro entre as semanas de 4 a 10 e de 11 a 17 de outubro de 2026. O efeito pode ser diferente na sua cidade.
Por que o corte de R$ 0,26 não aparece no preço do posto?
O decreto retira tributos, mas não fixa o preço nem obriga o repasse. O posto também considera estoque comprado antes, ICMS, distribuição e margem, e o corte de R$ 0,26 vale para a gasolina A, sem o etanol da mistura.
Como saber se compensa abastecer com etanol?
Divida o preço do etanol pelo da gasolina no posto. Se o resultado for menor que 0,70, o etanol tende a compensar. Na média nacional da ANP de 4 a 10 de outubro, a razão era de 63%.
Fontes e referências
Confira os números nas páginas dos órgãos oficiais e nas matérias consultadas. Os links abrem o site de origem em outra aba.
- ANP: Síntese Semanal do Comportamento dos Preços dos Combustíveis, edição 41/2026 (4 a 10/10/2026)
- ANP: Síntese Semanal do Comportamento dos Preços dos Combustíveis (edição 42/2026, de 11 a 17/10/2026)
- Ministério da Fazenda: Governo Federal prorroga desoneração da gasolina e do etanol (9/10/2026)
- Agência Brasil: Tributos da gasolina são zerados e subsídios a combustíveis ampliados (outubro de 2026)